Todos os dias mulheres são expostas voluntária ou involuntariamente na era do smartphone e o WhatsApp, de maneira literal e incontrolável. O pior é que as protagonistas dessas histórias, em sua grande maioria, estão ali contra a sua vontade.

Na linguagem popular, elas “caíram na net”. Se isso é uma novidade? Claro que não. Há algum tempo o SMS, o e-mail e o Messenger eram usados por sujeitos de caráter duvidosos para divulgar suas conquistas pessoais.

A novidade é que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou que o Facebook Serviços Online do Brasil tire do ar as fotos íntimas de uma jovem mineira expostas no aplicativo WhatsApp pelo seu ex-namorado, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 50 mil.

A decisão do magistrado serve de alento para muitas mulheres. Não que isso vá reparar o dano. Até porque, sem nenhum exagero, existe uma corrente de pensamento que transpõe para as mulheres a culpa disso acontecer. Afinal, “quem mandou tirar a foto ou fazer vídeo erótico?”, como sugerem alguns trogloditas.

No entendimento de alguns desses doentes “elas merecem receber o castigo porque são todas putas”.

Mas, dizer isso é tão absurdo quanto justificar um estupro “porque a garota vestia uma saia curta demais”.

Ademais, essa exposição do corpo feminino só nos coisifica e nos torna ainda mais vulneráveis em casos de estupro ou homicídio. Poucas atitudes são tão covardes quanto esta: extrair a humanidade da vítima e colocar nela a culpa por toda a sorte de violência que se pratica contra as mulheres.
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