Agora no Portal

Quem é a vovó que está no corredor da morte na Indonésia

Ela foi presa em maio de 2012 com 4,7 quilos de cocaína em uma mala ao desembarcar em Bali, Indonésia. Agora, dois anos depois de condenada à pena de morte, a britânica Lindsay June Sandiford, 58 anos de idade, corre contra o tempo para levantar dinheiro para a sua defesa e assim tentar escapar de sua execução, que ainda não tem data para acontecer.

Nesta semana, Lindsay escreveu até para o ator Russel Brand, conforme informou o jornal britânico The Independent. Brand, ex-viciado em heroína, divulgou no YouTube um vídeo dias antes da última rodada de fuzilamentos realizada pelas autoridades da Indonésia, e na qual foi morto o brasileiro Rodrigo Gularte, apelando para que os presos fossem poupados.

Além disso, Brand acusou o presidente Joko Widodo de estar sacrificando vidas humanas para encobrir o fato de que seu país depende economicamente do tráfico internacional de drogas.

No final de abril, depois da execução de membros do Bali 9, como era conhecido o grupo de australianos presos ao tentar entrar na Indonésia com de 8 quilos de heroína, Lindsay se tornou a última prisioneira condenada à morte em Kerobokan, prisão na qual estavam os brasileiros Gularte e Marco Archer e outros estrangeiros condenados por tráfico.

Caso
A história de Lindsay é complicada, com reviravoltas dignas de filmes de ação. Mãe de dois filhos, avó há alguns anos e portadora de uma doença mental não divulgada, a britânica é de uma cidade na região de North Yorkshire, a cerca de 320 quilômetros de Londres, e trabalhou anos em um escritório de advocacia. Tempos depois, mudou-se para a Índia.

Detalhes sobre a sua vida pessoal nesta época são obscuros. Contudo, de acordo com o The Guardian, sabe-se que Lindsay estava em Bangkok, Tailândia, quando concordou em levar a tal mala para Bali, Indonésia. Sua justificativa para o ato foi a de que sua família, que vivia no Reino Unido, estaria sendo ameaçada pelo traficante líder deste esquema.

Após sua prisão, ela revelou quem eram os donos das drogas e topou participar de uma operação para desmascará-los. Seus nomes eram Rachel Dougall e Julian Ponder, um casal britânico conhecido como “os reis de Bali” por conta do estilo de vida luxuoso que levavam, e outro britânico chamado Paul Beales.

Os três foram presos, mas negaram as acusações e alegaram ter sido vítimas de uma armação de Lindsay. Dias depois, contou o The Daily Mail, o caso do tráfico de drogas contra o trio foi por água abaixo, pois os policiais não conseguiram provar o vínculo entre eles.

Dougall foi condenada a um ano de prisão por posse de cocaína, Beales recebeu uma pena de quatro anos por posse de haxixe e Ponder, em tese o líder deste grupo, foi condenado a seis anos de cadeia por posse de cocaína. Lindsay, em contrapartida, terá de encarar o pelotão de fuzilamento, apesar de a promotoria do país ter recomendado que ela cumprisse 15 anos devido a sua idade.

Mas a novela que envolve o caso não para por aí.

Durante o julgamento de Lindsay, Jennifer Fleetwood, especialista em tráfico internacional de drogas, foi chamada pela defesa para dar a sua opinião profissional. Em seu testemunho, cujo teor foi divulgado pelo The Guardian, declarou ser provável que ela tenha sofrido ameaças e que, por conta da sua vulnerabilidade, Lindsay seria o alvo ideal de traficantes.

Jennifer explicou que mulas, como são chamadas as pessoas que transportam narcóticos, aceitam participar destes esquemas por dinheiro. Muitas vezes, contudo, são obrigadas a fazê-lo por ameaça dos criminosos, situação na qual não levam sequer um centavo. “Às vezes nem sabem o que carregam”, contou ela em entrevista ao The Huffington Post.

Mr. Big
Ponder parece ser um homem poderoso. No início deste ano, o The Daily Mail trouxe à tona novas informações sobre a sua vida, após uma longa entrevista com o próprio. Seu apelido em Bali é “Mr. Big” (que pode ser traduzido como “o grande”) e Ponder contou ainda ter tido um relacionamento com Alys Harap, a diplomata britânica encarregada do apoio aos presos.

Depois que o caso veio à tona, Alys foi suspensa e, pouco antes, havia cessado suas visitas à prisão. Na visão da defesa de Lindsay, o fato trouxe consequências para o seu caso, uma vez que ela teria ficado sem o apoio diplomático adequado.

Em 2013, um jornalista da publicação o visitou na cadeia e relatou que Ponder tinha um funcionário lá dentro, que era responsável por executar tarefas em seu nome. Na cadeia, é chamado de “Rei do Hotel K”, uma referência irônica ao seu estilo de vida no local.

MSN Brasil